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Opinião

Imagem: Divulgação / PR

Até Jesus Cristo seria criticado se Bolsonaro o indicasse ao STF

Por que André Mendonça está sofrendo críticas pela indicação ao Supremo?

Por Antônio Claret Jr.

Traz a Constituição Federal que o Supremo Tribunal Federal (STF) será composto por 11 Ministros escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Ainda, a nomeação ocorrerá após aprovação pelo Senado.

Pois bem, o advogado André Mendonça é doutor em estado de direito e governança global e mestre em estratégias anticorrupção e políticas de integridade pela Universidade de Salamanca, na Espanha.

Mendonça também já ganhou o Prêmio Innovare, que premia boas práticas do Poder Judiciário. Ainda, chefiou a Advocacia Geral da União e foi Ministro de Justiça.

Não há dúvidas sobre seu notável saber jurídico. Ademais, não há qualquer conhecimento sobre algo que comprometa sua reputação. Assim sendo, André Mendonça demonstra ser um excelente nome para ocupar uma das 11 cadeiras do STF.

Ocorre que estamos vivendo uma polarização no país e, qualquer escolha de Bolsonaro seria criticada, como foi a anterior, Nunes Marques, que nem era identificado com Bolsonaro.

O próprio, agora ex-decano, Marco Aurélio Mello, foi indicado por seu primo, o então Presidente da República, Fernando Collor de Mello. Foi um problema indicar seu primo? Este precedente já não seria o bastante para entendermos que os presidentes indicam, de fato, pessoas em quem confiam?

E que tal falamos em Dias Toffoli? Em seu currículo, exibe que foi consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores (CUT), assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, e atuou como advogado de três campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi um problema o então Presidente Lula indicar seu advogado pessoal? Mais próximo que isso, só se fosse casado com Lula.

Só esses dois exemplos nos mostram que, independente da qualidade do Governo Bolsonaro, tudo o que ele fizer, sendo criticável ou não, será extremamente julgado e criticado pelo simples fato de ser Bolsonaro. Precisamos deixar o olhar polarizado de lado e nos voltarmos para o Brasil. O que deve ser criticado, será. O que deve ser elogiado, será. O que não merecer sequer comentários, também o será.

Dito isso, pergunto a você, leitor: A indicação de André Mendonça ao STF deve ser criticada? Por que? Se a sua resposta foi “Porque ele é próximo ao Bolsonaro”, não me parece ser um problema já que um primo e um advogado pessoal foram indicados. Se a sua resposta foi “Porque ele é terrivelmente evangélico”, sinto dizer que você é preconceituoso e não entendeu que o Estado é laico, e que isso não significa que seus membros devem ser ateus, mas, simplesmente, não devem agir com base na religião.


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