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Opinião

Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Mesada traz maturidade. O Bolsa família também

Somente se associado a corte de serviços gratuitos, o bolsa família poderá contribuir com a liberdade

Notícias

Antônio Claret Jr.

Advogado e Vice-Presidente do Instituto Liberal


A discussão sobre o Auxílio Brasil, nova ação social do governo que vai substituir o Bolsa Família, vem gerando fortes debates no Poder Executivo. Por um lado, o Ministério da Economia, preocupado com a capacidade de caixa, defende R$300,00, ao passo que o Presidente, preocupado, por sua vez, com popularidade, parece defender o valor de R$400,00.

Atualmente, o Bolsa Família tem um valor médio próximo a R$200,00 e engloba cerca de 14 milhões de pessoas. O provável proposto Auxilio Brasil deve abarcar cerca de 16 milhões de pessoas.

Considerando que dinheiro não dá em árvore, e que aumento do valor do programa assistencialista nos leva a pensar em aumento de impostos, emissão de moeda ou aumento da dívida pública, é uma boa ideia o tal Auxilio Brasil? A resposta é: “Depende”.

O brasileiro está acostumado a ter um “estado papai” que lhe disponibiliza tudo a tempo e a hora. As pessoas encaram como obrigação do estado fornecer todos os serviços necessários. Os exemplos variam muito a começar pela pandemia, como houve reclamação em massa para que o governo providenciasse vacinas para todos, sendo certo que a alternativa de abertura da comercialização pelo privado foi rechaçada pela grande maioria.

Nas Olimpíadas, não faltaram críticos aos investimentos públicos feitos em estrutura para atletas brasileiros, como se fizesse grande diferença ao pagador de impostos o número de medalhas obtidas pelo comitê olímpico. Ainda, podemos usar como mais um exemplo, o tratamento de esgoto. Tema que foi altamente debatido quando da alteração do marco do saneamento e, mesmo diante das centenas de anos comprovando que este é um tema a ser resolvido pelo privado, muitos cidadãos ainda insistiam que era obrigação do estado.

Assim como um pai que tudo provê ao filho, o estado brasileiro também busca prover, mesmo que com baixa qualidade, todos os serviços ao povo. O resultado é de altos impostos e baixa qualidade de serviços. O filho começa a conhecer a independência e aprender a valorizar o dinheiro quando seu pai institui a mesada. Através desse benefício, o filho quantifica serviços e produtos, tomando consciência de valor.

Com o cidadão, funciona igual. Com o recebimento de um auxilio em dinheiro, o cidadão começa a ter consciência do custo de cada serviço pois é ele mesmo quem irá pagar, e não mais o estado diretamente. Um auxilio direto, como o caso do Bolsa Família, que agora mudará para Auxilio Brasil, é sinônimo de liberdade. Liberdade para gastar no fornecedor que quiser e como quiser. É a garantia de dignidade associado à liberdade. Assim, um aumento de R$200,00 para R$300,00 ou R$400,00 neste auxilio não deve ser combatido uma vez que é um aumento na liberdade do cidadão. O problema é que nem tudo são flores.

Como dito no início deste artigo, dinheiro ainda não dá em pé e, para que evitemos aumento de impostos ou inflação, que corrói o que ganhamos ou mantemos, é preciso que, em paralelo ao aumento de auxilio direto, haja uma redução da prestação de serviços gratuito direto. Em outras palavras, se o pai não reduzir as benesses do filho quando inicia a mesada, o filho pouco mudara em termos de consciência. Irá ter sim certa noção de valor de produtos e serviços, mas encarará como presente a mesada, uma vez que tem garantia das refeições, cursos, roupas e festas.

É preciso cortar, ao menos, a garantia das festas e brinquedos fora de datas comemorativas. Caso contrário, é apenas mais um benefício. Assim deve-se pensar o Brasil. O aumento do Bolsa família em mais de 50% é sim bem-vindo já que traz liberdade e consciência, mas só funcionará se serviços usualmente gratuitos foram cortados proporcionalmente.

No meu mundo ideal, não há estado e nem imposto. Todavia, não sou ignorante a ponto de acreditar que a mudança acontecerá da noite para o dia. O primeiro passo vem com a conscientização. E o Bolsa família, melhorado pelo Auxilio Brasil, contribui em muito para a conscientização do brasileiro se for feito de forma responsável e não populista.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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