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Imagem: Câmara dos Deputados / Divulgação

Os kamikazes japoneses x kamikazes brasileiros

Aprovada pela esquerda e a direita, proposta que prevê benefícios para brasileiros até o fim do ano é "ataque suicida" que coloca as contas em xeque em 2023


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Antônio Claret Jr.

Advogado e colunista do programa 98 Talks


Os kamikazes eram uma unidade de ataque especial na Segunda Guerra Mundial. Eram conhecidos por realizarem ataques suicidas por aviadores militares do Império Japonês contra navios dos Aliados, para destruir o maior número possível de navios de guerra. Nós sabemos o final da história, na qual os japoneses perderam a guerra.

A chamada PEC Kamikaze, aprovada nesta semana no Congresso, trouxe uma série de benefícios até o fim do ano, como aumento do Auxílio Brasil de R$400 para R$600, a criação do Bolsa Caminhoneiro de R$1.000, e o Bolsa Taxista de R$200. Ainda, o repasse do vale gás passaria de bimestral para mensal com valor sendo dobrado para R$ 120. O pacote da PEC ainda garantiria R$2,5 bilhões para gratuidade do transporte coletivo para idosos e subsídio do etanol com mais R$ 3,8 bilhões. Todas as medidas valendo até o fim deste ano.

Importante alertar a fato de que o custo de tais “bondades” temporárias será de R$ 41 bilhões que passariam por um buraco no teto de gastos.

Assim sendo, a apelidada PEC Kamikaze para a Proposta de Emenda à Constituição de autoria do Governo e aprovada por quase todo o congresso, incluindo partidos de oposição como o PT, tem um apelido merecido. Ora, quem apelidou a PEC por “Kamikaze”, queria dizer que Bolsonaro teria proposto esse pacote de benefícios para agradar grande parte da população e tentar virar o jogo contra Lula que, segundo as pesquisas, segue na frente na corrida eleitoral. Como um kamikaze, a PEC buscaria virar o jogo eleitoral, mas por um ataque suicida já que colocaria o próximo governo em uma situação fiscal gravíssima, sem dinheiro e com absurdos compromissos financeiros, sendo necessário imprimir mais dinheiro ou aumentar impostos.

O grande problema é que tais medidas podem até ter o efeito da virada de Bolsonaro para cima de Lula, mas o suicídio está aprovado e o próximo presidente, seja quem for, terá um país com um buraco fiscal enorme que precisará de inflação ou aumento de impostos para sobreviver. Acho que neste caso, os japoneses também perdem a guerra, independente de Lula ou Bolsonaro.

Neste ponto, uma curiosidade: todo mundo entrou na atividade kamikaze. Desde o partido de Lula, passando pela autoproclamada Tebet e o autor Bolsonaro apoiaram a loucura. De fora, poucos como o partido Novo. Ninguém quis ser excluído da festa do populismo brasileiro e, independente de quem vencer, herdará um país em situação gravíssima em 2023.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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