Carregando...

Opinião

Imagem: Reprodução / Internet

Quem o Talibã atacaria no Brasil?

Se existisse um “Talibã à brasileira”, o grupo atacaria os Três Poderes

Notícias

Antônio Claret Jr.

Advogado e Vice-Presidente do Instituto Liberal


Não há outro assunto no mundo senão a tomada do Afeganistão pelo Talibã. Da noite para o dia, os especialistas em epidemiologia das redes sociais se tornaram especialistas em geopolítica. Mas, façamos um exercício mental: em um país com tanto extremismo e debates acalorados sobre atos dos Três Poderes, quem o perderia se o Talibã invadisse o Brasil?

O Talibã é um movimento com leis religiosas severas, com proibição de que mulheres pudessem trabalhar e estudar, penas como execução pública e outras ações que ferem os direitos humanos. De acordo com Ahmed Rashid, em seu livro Taliban, o grupo se vê como o purificador de um sistema social que deu errado e de um estilo de vida islâmico que foi comprometido pela corrupção e pelo excesso

Ou seja, se existisse um “Talibã à brasileira”, o grupo atacaria os Três Poderes. Não haveria garantia de direitos individuais e a melhor maneira de encerrar esse assunto, seria fechando o STF

Resolvida essa questão, buscaria “purificar” o sistema social impondo seu estilo de vida. 

Como esse estilo não tem representatividade no Congresso, fecharia o Congresso, uma vez que as leis e regras partiriam diretamente do movimento extremista. Por fim, invadiria o Palácio do Planalto pois o líder do país precisaria ser, necessariamente, alguém alinhado ao fundamentalismo islâmico. E de nada adiantaria o presidente discordar em seu cercadinho.

O movimento atacaria Lula, Bolsonaro, Ciro, Leite e mais quantos aparecessem pois buscam a purificação de um sistema comprometido pela corrupção. Segundo eles, as mulheres não podem sequer sair às ruas com partes do corpo expostas ou frequentar locais como cinema, restaurantes e esportes. É o controle total e sem participação popular por um movimento que se torna o próprio Estado quando toma o poder.

Agora, imagine você que Roberto Jefferson não mais seria preso sem ampla defesa ou contraditório via prisão preventiva por algo que alguns consideram opinião. Ele seria executado sem processo.

Todo aquele debate por voto impresso que acabou não alcançando os votos necessários na Câmara não ocorreria pois você jamais poderia votar nem em urna eletrônica e nem via voto impresso. Você não teria qualquer escolha. Imagine, ainda, que pedir impeachment de um presidente seria o mesmo de assinar sua sentença de morte

Estamos mal-acostumados. Estamos todos preocupados com o extremismo que nos espera em 2022, mas a verdade é que ambos os extremos que já estão em plena campanha eleitoral têm suas ideologias, fazem barulho, mas respeitam a Constituição. Extremismo é o Talibã. Extremismo é passar por cima de regras constitucionais.  É possível ver, em apoiadores de determinados políticos, uma posição extremista, mas repare que seus representantes não acatam tais ideias. Quando a eles é dado o poder, cumprem o “livrinho de 88” como diria o ex-presidente Michel Temer.

Assim, quando for debater com o coleguinha sobre seu candidato para 2022, aponte pontos de sua gestão sobre os quais não concorda. Mostre porque são pontos negativos ao Brasil. Pare de levar o debate para a paixão e o subjetivismo. Ainda vivemos em uma democracia e não há extremismo entre os atores políticos por aqui. Há extremismo no Afeganistão. Não confunda ideologia ou falta de educação e bons modos com extremismo.

Em geral, quem não tem ideologia apenas está buscando a manutenção do que já temos por aqui e que, na minha opinião, precisa ser profundamente reformado. Por isso, é preciso cuidado com o discurso de extremismo brasileiro que, muitas vezes, é só o “establishment” preocupado com novas ideias e novos rumos para o país.

Fatos absurdos e tristes como o que ocorre hoje no Afeganistão servem para nos lembrarmos sobre a importância do diálogo e nos abrem os olhos para o fato de quem o alegado extremismo brasileiro não existe. É só grito. Graças a Deus!

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
Enquete

Carregando...

Colunistas

Carregando...

Podcasts

Carregando...

Saiba mais