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Imagem: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

Será que basta gerar só empregos?

O Brasil conta atualmente com mais de 11 milhões de pessoas na fila por uma ocupação formal; o que falta afinal?


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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista do programa Central 98. Apresentador do 98 Talks


Dados divulgados com base no CAGED, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Previdência apontam para mais de 11 milhões de desempregados no país. A informação em si já mostra a gravidade desta situação. Para além dos aspectos econômicos gostaria de propor novas reflexões.

Estudos e pesquisas divulgados recentemente por vários organismos especializados revelam um contingente considerável de desempregados portadores de diplomas de curso superior, uma grande parcela de jovens em busca do primeiro emprego, até se resignando com empregos em outras áreas que não as de suas formações e de desalentados, aqueles que perderam a esperança de serem empregados num mercado formal. 

Seria desnecessário abordar a baixíssima oferta de formação para empreender que é fornecida no ensino formal do país, boa parte das famílias brasileiras ainda desenvolvem em seus filhos a necessidade de formação para a procura de um emprego com  “carteira assinada” ou até aquelas famílias com maior poder aquisitivo que investem na formação dos filhos para que se candidatem aos concursos públicos. As escolas pouco fazem, principalmente as públicas e que atendem a maior parcela da população — quase sempre a de menor renda — para a inclusão em seus currículos de matérias como educação financeira e empreendedora. 

Essa realidade empurra uma enorme parcela da população para um mercado que muda de realidade e que se torna cada vez menos consumidor de mão de obra com características muitas vezes ultrapassadas. 

Aliado a tudo isso, os brasileiros são empurrados à busca dos diplomas de cursos de formação universitária, como se isso bastasse para garantir a possibilidade de um emprego, ou trabalho. As políticas de lotação das universidades servem apenas para a obtenção de índices certificadores que atestam, de maneira duvidosa, o crescimento intelectual e a capacidade profissional dos brasileiros.

Não que o conhecimento específico e especializado deva ser desprezado, mas nações que se desenvolvem, cada vez mais investem na capacitação técnica de seus cidadãos. A busca por um diploma de nível superior é aspiração de quem solidifica seus conhecimentos, mas não é garantia de inserção no mercado de trabalho ou para a atividade empreendedora, ambos garantidores de renda.

As histórias de profissionais de nível superior formados com baixíssima qualificação nos níveis básicos de  formação e que quase sempre se sujeitam a trabalhos fora de suas áreas de formação e de menor remuneração, são cada vez mais frequentes.

Não basta propagandear que vários brasileiros são os primeiros de suas famílias a conquistar um diploma universitário para garantirmos que estamos elevando o nível de conhecimento de nossos cidadãos. É preciso investir na formação de base de nossos alunos, dando-lhes as mínimas condições de conhecimento holístico (técnico, forma),  mas acima de tudo cidadão. A cidadania vai além de diplomas de niveis superiores que permitem a apresentação de gráficos nas planilhas dos burocratas, ela exige conhecimento basilar e a possibilidade de oferecermos aos brasileiros alternativas de sustento que vão além das filas por vagas de trabalho e a busca insensata pela informalidade cruel de empreendedores sem formação e movidos apenas pela necessidade da urgência na busca por remuneração.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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