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Política

Imagem: Reprodução

Em conversa com prefeitura fictícia, 'vendedor' de vacina enviou imagem forjada sobre suposta negociação com a Prefeitura de São Paulo

'Representante' defendeu que o grupo teria negociado com paulistas e recomendou que prefeitura fosse procurada para dar aval ao negócio

Notícias

Lucas Ragazzi

Jornalista dos programas Central 98 e 98 Talks, especialista em política


Durante apuração jornalística sobre um grupo de supostos representantes comerciais, em Minas, que tentavam vender vacinas em nome da americana Davati, um comerciante de nome Alfredo apresentou imagem forjada para afirmar que a Prefeitura de São Paulo havia feito negócios com a Davati.

"Nos sentimos absolutamente felizes por colaborar como grupo a viabilizar a aquisição de Vacinas COVID-19 pela cidade de SP", diz a nota, que, na mesma imagem, mostra uma citação creditada a Cristiano Hossri Carvalho, representante da Davati no Brasil.

Em áudio enviado à reportagem, que na época se passava por representante de uma prefeitura fictícia, Alfredo defendeu que o grupo teria negociado com a prefeitura paulista, e até recomendou que a Prefeitura de São Paulo fosse procurada para dar aval ao negócio.

"O procurador até pode ligar pra Prefeitura de São Paulo, e perguntar se a Davati fez a venda da vacina para a Prefeitura de São Paulo. Acho que esse pode ser um bom argumento, né?", afirmou Alfredo, após ser questionado se ele ou a Davati possuíam documentos que comprovassem as negociações.

Na época, a reportagem questionou a prefeitura paulista, que negou veementemente qualquer negociação realizada ou em curso com a Davati, Alfredo ou Cristiano Carvalho.

Depois, ao ser confrontado com a resposta da prefeitura, Alfredo encaminha uma mensagem. "Pede para enviar a nota por gentileza e quem assinou", e, depois, diz manter contato o representante da Davati, "Luiz Dominguete". Luiz Paulo Dominghetti é o policial militar que "representou" a Davati nas conversas com o Ministério da Saúde e disse ter recebido um pedido de propina do então diretor da pasta, Roberto Dias Ferreira.

Histórico

Na reportagem publicada em maio, o suposto representante da Davati em Minas, J. D. D. G., recomendou que a prefeitura fictícia entrasse em contato com Alfredo - cuja identidade, abreviada, é A. A. F. C. J. Ao responder o contato pelo WhatsApp, constava que o nome de Alfredo no aplicativo era "POLISHOPCOMVC/LOJASOUZAC", indicando que o telefone do suposto intermediador para a compra de vacinas também funcionava como atendimento de uma grande rede de varejo. 

A. A. F. C. J. insistia para a produção e envio da LOI por parte da Prefeitura de Juatuba do Norte. "Eu tenho 92 LOIs de municípios e de 6 estados, eu não posso ficar te passando porque isso é venda confidencial. Eu compreendo a resistência de vocês, mas é a forma que nós trabalhamos. Se tiverem interesse em mandar a LOI, nós mandamos toda a documentação. Toda negociação começa com a LOI, chegando a LOI nós mandamos toda a documentação. Desde que venha a LOI, não tenho como mandar a documentação sem a carta de interesse. É assim que funciona", disse, "explicando", ainda, que a Davati possui as vacinas porque conseguiu, no início da produção da pesquisa, acertar a compra de 200 milhões da Johnson e 200 milhões da AstraZeneca

A. A. F. C. J. é um empresário paulista com empresas registradas na cidade de Itu, na região metropolitana de São Paulo. Ele possui uma distribuidora de gás de cozinha e uma empresa de representação de alimentos. Questionado com a nota da Prefeitura de São Paulo, ele desconversou sobre o assunto, indagando quem teria enviado o texto e negando que fosse verdade. “Estão te enganando aí”. 

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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