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Política

Jarbas Soares Jr: "O combate à corrupção é um dever que nos impõe uma obrigação"

O novo Procurador-Geral da Justiça em Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior concedeu entrevista ao programa 98 Talks, nesta quinta-feira.

Por Vinícius Silveira

Primeiro colocado da lista tríplice formada em eleição realizada no dia 9 de novembro, na qual votaram procuradores e promotores de Justiça, Jarbas Soares Júnior foi nomeado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema para exercer o cargo de chefe do Ministério Público de Minas Gerais nos próximos dois anos.  

Natural de Montes Claros, Jarbas Soares Júnior ingressou no MPMG em 1990, e aos 55 anos, ele ocupa o cargo de procurador-geral de Justiça de Minas Gerais pela terceira vez. 

Nesta quinta-feira (10), Jarbas Soares Júnior concedeu entrevista ao programa 98 Talks, e entre outros assuntos discutidos, está o combate a corrupção e também a reparação às vítimas da tragédia da Vale, na cidade de Brumadinho.

"Seremos maiores que a Lava-Jato"

Sei que os desafios são enormes em várias áreas, mas o combate a corrupção, que é dever do Ministério Público, nos impõe uma obrigação muito grande para trabalhar melhor no combate a corrupção. Pretendemos unir as várias áreas do Ministério Público que combatem a corrupção. Nós temos, por exemplo, o Gaeco, que são os grupos de combate ao crime organizado, temos a procuradoria de agentes políticos, os promotores de patrimônio público, também os promotores que combatem a sonegação fiscal”.

Então, nós temos instrumentos de investigação. Vamos todos na chamada Unidade de Combate a Corrupção e ao Crime, com as estruturas do Ministério Público que já existem, mas com a ideia de aprimorar com centrais de inteligência para que a nossa instituição consiga detectar o caminho do dinheiro e também dê respostas rápidas, trabalhando com muita discrição, mas efetivos”.

"Nós vamos unir o MPMG às várias contas que combatem à corrupção, em um centro de inteligência. A nossa estrutura será maior do que a Lava-Jato".

Sobre a formação da equipe do MPMG

"Não estou fazendo governo com amigos. São pessoas qualificadas", afirma, sobre a formação de sua equipe. "Estou buscando os melhores nomes. Estou fazendo a transição, dando oportunidade para jovens talentos. Observando a pluralidade e a diversidade."

"Vou criar a Secretaria Especial de Ações Internacionais. Para que façamos cooperações internacionais com o G20. Traga de lá para cá o que há de bom, e exportarmos para eles o que há de bom".

"A gente vai abrir o Ministério Público. A gente começa com a cooperação cultural, e depois faremos a cooperação técnica. Eu não vou furar fila do MPF. Isso é diferente".

"Estamos perdendo a guerra da informação"

"Hoje o Ministério Público está sob ataque. Estamos perdendo a guerra da informação. Qual é a imagem que se tem hoje do Ministério Público: privilegiados que recebem muito e não trabalham", desabafou o Procurador-Geral do Estado.

"Conseguiram jogar essa coisa pro MP, o que na verdade não é verdade. A gente trabalha muito, se expõe (...) Então nós vamos discutir isso agora: a guerra da informação. É uma campanha orquestrada", disse. "Estamos sob ataque no Congresso. Ataques de desinformação. Eu não vou discutir o meu salário? Claro que vou", completou.

Mariana e Brumadinho

"São duas questões diferentes, mas obviamente parecidas. [No caso de Mariana] Lá atrás, foi feito o modelo equivocado, e a própria Vale hoje reconhece que precisamos reformar. Trouxe uma fundação, fez um Termo de Ajustamento de Condutas com o Estado de Minas, o Espírito Santo e a União. O TAC acontece depois de vários levantamentos, a primeira coisa que se fez foi o TAC. Então lá foi errado", afirmou. "O que nós precisamos fazer aí: participar juntos para rever algumas coisas que foram feitas. No caso de Mariana, já se gastou mais com a equipe do que com a recuperação ambiental. E o dano ambiental foi muitas vezes maior que o de Brumadinho".

"No caso de Brumadinho, o Ministério Público conseguiu se organizar melhor, pois a competência é estadual. Nós chegamos agora, a companhia viu que não podia continuar daquele jeito, o governo estadual também mobilizou sua equipe. E agora tem uma composição que está em curso que envolve os danos que o Estado sofreu, os danos morais, e outras ações, que não estão incluídas neste acordo".

"Meu adjunto, Carlos André Mariano Bittencourt, tomou a frente da Força Tarefa desde o dia em que eu fui nomeado (25). E está tratando o tema com a Defensoria Pública Federal, Estadual, o Ministério Público Federal, o Governo do Estado e a Vale. Nos últimos 15 dias foram só reuniões. Ontem tivemos uma audiência presidida pelo próprio presidente do TJMG, em que se avançou e muitos temas de governança. Estamos falando de acordos de bilhões de reais, que vão mudar a vida de todos. Estamos próximos de uma solução, para Brumadinho. Se a gente fechar o acordo como está sendo acordado, estaremos dando um grande passo, até mesmo no processo civilizatório. Se avançarmos para o lado jurídico, vai ser prejudicial para todo mundo, pois ficaremos 30 anos arrastando recursos", afirmou.

Sobre Moro e a Lava-Jato

"Para ser bem sincero, os acertos da Lava-Jato foram melhores do que os erros. Eles tiveram um juiz firme. Os juízes estão alertas, estão revoltados com a corrupção e estão querendo uma resposta. E a responsabilidade do MP sobe mais".

"Se fosse eu, jamais aceitaria cargo no governo [de Ministro]. Sobretudo depois de tudo que aconteceu. Em segundo lugar, quando você vai para a iniciativa privada — obviamente o Juiz Sérgio Moro precisa garantir provimento para a sua família — mas ele precisa ficar atento com as pegadinhas", afirmou. "Então o ex-ministro vacilou, sim. Existem outras formas de advogar".

"Precisamos tomar esse cuidado. O dia que eu sair do Ministério Público, me aposentar, eu não posso jogar os 30, 35 anos de Ministério Público. Porque o meu retrato vai estar lá", finalizou.

Confira a entrevista completa no canal oficial da 98 Live no YouTube!


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