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Imagem: Reprodução / Internet

Cansaço ou exaustão: por que o Burnout atinge mais as mulheres?

Quase metade das mulheres sofre com os sintomas da síndrome; por que devemos nos preocupar com a doença


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Nely Aquino

Vereadora pelo Podemos, presidente da Câmara Municipal de BH em seu 2º mandato. Fundadora do Projeto Rumo Certo.


42% das mulheres sofrem com os sintomas da Síndrome de Burnout, de acordo com a pesquisa Woman in the Workplace 2021 publicada em janeiro de 2022 pela McKinsey e Leanln.Org. Este estudo, que alcançou um índice 10% maior do que no ano anterior, alerta ainda que uma em cada três pensam em largar ou alterar a carreira em razão do estresse.

Os dados são preocupantes e mostram ainda que a sobrecarga de trabalho e obrigações na pandemia tiveram um efeito mais devastador nas mulheres do que nos homens. Mas o que é essa síndrome tão falada ultimamente? E por que devemos nos preocupar?

A Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional geralmente ligado ao alto nível de estresse. Atinge pessoas que têm uma rotina de muita pressão, por isso deve ser tratada no âmbito da saúde mental. Trata-se de uma doença dos nossos tempos. Primeiramente observada pelo psicanalista alemão Herbert Freudenberger em 1974, foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como síndrome em 2019. Caracteriza-se pelo cansaço extremo, esgotamento físico e mental, resultantes de situações desgastantes ligadas, principalmente, ao trabalho.

Segundo o ISMA-BR, International Stress Management Association, o Brasil é o segundo país com maior número de trabalhadores afetados. O país ocupa ainda outros índices preocupantes segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, já que é o país com a maior taxa de pessoas com ansiedade, além de ocupar o quinto lugar no ranking de pessoas com depressão.

Em geral, pesquisas ligam baixas rendas a altos níveis de estresse e a uma saúde mental ruim. Mas vários estudos também já mostraram mais especificamente que incidências de burnout entre mulheres são maiores por causa de diferenças em condições de trabalho e do impacto do gênero no avanço profissional.

Em 2018, pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, publicaram um estudo em que concluíram que mulheres eram mais vulneráveis ao chamado burnout que homens porque elas tinham menos chances de ser promovidas que eles e, portanto, eram mais propensas a estar em posições com menos autoridade, o que pode levar a maior estresse e frustração.

No caso das mulheres há algo ainda mais peculiar, pois além da pressão da vida profissional, tendem a acumular dupla jornada, com os afazeres da casa e dos filhos, atingindo um nível de cansaço, exaustão e frustração que podem acarretar na Síndrome. Por vários motivos, mulheres, particularmente mães, ainda administram diariamente uma lista mais complexa de responsabilidades que homens. Isso pode ter múltiplos impactos para o mundo profissional pós-pandemia, o que torna importante que tanto empresas, como a sociedade como um todo, encontrem formas de reduzir esse desequilíbrio.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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