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Imagem: Rede 98

Não houve planejamento para tantas crianças em UTI´s, diz gestor de saúde pública

Especialista diz que ninguém esperava que a covid-19 fosse atingir crianças a ponto de saturar as UTI´s pediátricas; gargalo está na falta de profissionais e dificuldade em comprar equipamentos específicos


Por Marcello Oliveira

O crescimento do número de casos confirmados de covid-19 no Brasil tem colocado novos desafios aos médicos Brasil afora, como a implementação de UTI´s pediátricos. O médico e especialista em gestão de saúde pública, Dr. Marcelo Lopes Ribeiro conversou sobre o assunto no Cental 98 desta sexta-feira (28).

A dificuldade para atendimento às crianças que precisam cuidados intensivos começa com a contratação de profissionais especializados. “Precisamos de pessoas altamente qualificadas e especializadas nisso e até 2018, a residência em pediatria era feita em dois anos e hoje é feito em pelo menos três anos, e se você for fazer especialização em UTI é mais um ano, talvez dois anos, dependendo do tipo de especialização”, explicou. Ribeiro também explicou que o fisioterapeuta que trabalha em UTI pediátrica precisa de seis meses dedicados a especialização.

Além da contratação de pessoal, outro gargalo no atendimento infantil em UTI é o material específico, que é muito mais difícil de conseguir. “Enquanto para montar um UTI adulto eu levo dois dias, parta montar um UTI infantil não tem prazo justamente pela dificuldade em conseguir esses equipamentos específicos”, completou o médico.

Por causa dessas limitações, apenas dois hospitais públicos em Belo Horizonte contam com UTI´s infantis completas: Hospital Infantil João Paulo II e o Odilon Behrens.

O médico também afirmou que não houve um planejamento prévio para o atendimento de crianças vítimas da covid-19 justamente pelo fato de muita gente pensar que criança não pega o vírus. “Nós tivemos uma admissão gigantesca de crianças internadas nas unidades de terapia intensiva com problemas respiratórios e antes a gente não tinha isso, pois as crianças não estavam internando porque elas não estavam indo à escola, um dos locais que mais contribui com a disseminação de doenças respiratórias por causa do contato entre eles e com a diminuição”, concluiu. 

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