Saúde

  1. Notícias
  2. Saúde
  3. Vacinação de crianças contra a Covid-19 será sem exigência de receita médica
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vacinação de crianças contra a Covid-19 será sem exigência de receita médica

Os detalhes da vacinação foram apresentados na tarde desta quarta-feira pelo Ministério da Saúde


Por Carol Torres, João Henrique do Vale, Lucas Rage e Victor Duarte

O Ministério da Saúde detalhou o cronograma, na tarde desta quarta-feira, da vacinação infantil contra a Covid-19. A imunização das crianças de 5 a 11 anos vai acontecer sem a exigência de receita médica. Além disso, o intervalo entre as doses será de oito semanas

Os detalhes foram divulgados pelo ministro Marcelo Queiroga. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu autorização emergencial para o uso de vacinas contra o coronavírus em crianças em 16 de dezembro. A vacina que será utilizada será a da Pfizer que também já é aplicada no exterior, em lugares como Estados Unidos e Europa.

O ministro da saúde falou sobre a segurança e eficácia da vacina. “Essa vacina foi testada, por meio de ensaios clínicos, e foi aprovada por agências respeitadas, como a FDA (agência reguladora norte-americana) , e EMA (Agência Europeia de Medicamentos),e também o aval da Anvisa. Portanto, a Anvisa atestou a segurança e eficácia da vacina”, explicou Queiroga. 

A médica Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, afirmou que algumas recomendações devem ser tomadas pelos pais. “Imprescindível que os pais, mães ou responsáveis consultem um médico antes da vacinação. Temos alguns efeitos adversos, temos, e essas crianças estão em pleno desenvolvimento. O cuidado tem que ser muito maior”, disse. 

Segundo ela, os pais têm que estar presentes, no momento da vacinação, manifestando a favor da vacinação. “A vacina deve ser aplicada seguindo as normas da Anvisa”, disse. Uma lista de prioridade também será seguida. Primeiro serão vacinadas as crianças com comorbidades, deficientes permanentes, indígenas, quilombolas, e que vivem em lar com moradores com risco de pegar covid-19.

A vacinação sem a prescrição médica foi uma mudança de pensamento do Governo Federal. Em 23 de dezembro, o próprio ministro da saúde, Marcelo Queiroga, declarou que a imunização das crianças seria liberada, mas que seria somente com a aval de um profissional de saúde. “(Para) as sem comorbidades, há necessidade de prescrição médica", afirmou à época. 

Entrega de doses

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, afirmou que a vacinação deve começar ainda em janeiro. Porém, não deu uma data concreta. Segundo ele, o Brasil vai receber mais de 20 milhões de doses pediátricas da PfizerA previsão é que 3,74 milhões de doses sejam entregues em janeiro.

"Todas as doses do 1º trimestre serão provisionadas para o uso pediátrico. Serão 20 milhões de doses para o 1º trimestre, mais 20 milhões para o 2º trimestre", disse.

Consulta pública 

O Governo Federal fez uma consulta pública para discutir o tema com a população. O resultado foi divulgado na última terça-feira. Nela, a maioria dos participantes foi contrária à prescrição obrigatória para a imunização de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid19.

Segundo a médica Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, a maioria das pessoas também foi contra a vacinação obrigatória para crianças nessa faixa etária. As respostas da consulta pública foram apresentadas durante audiência pública sobre a vacinação infantil, que aconteceu nessa terça-feira em Brasília. Segundo Rosana, 99.309 pessoas responderam ao questionário do governo federal.

Recomendações sobre a vacinação 

A vacina da Pfizer que será aplicada nas crianças entre 5 e 11 anos será diferente das aplicadas nos outros grupos da população. A administração da vacina em crianças será de duas doses menores do que as outras faixas etárias. 

A Anvisa recomendou que a vacinação deve ser realizada após treinamento completo das equipes de saúde que farão a aplicação da vacina. Isso porque, disse a agência, a grande maioria dos eventos adversos pós-vacinação ocorre por aplicação da dose inadequada e da preparação errada do produto de acordo com a faixa etária.

A vacinação das crianças deve ser feita em ambiente específico, separado da vacinação de adultos, acolhedor e seguro para as crianças. Em vacinação nas comunidades isoladas – em aldeias indígenas, por exemplo – a imunização de crianças deverá ocorrer, sempre que possível, em dias separados da dos adultos.

As salas de vacinação para a Covid-19 em crianças deverão ser exclusivas para a aplicação dessa vacina. Se não houver a infraestrutura necessária para essa separação, deverão ser adotadas medidas para evitar erros de vacinação. Por precaução, a vacina Covid-19 não poderá ser dada junto com outras vacinas do calendário infantil. O intervalo mínimo entre a vacina da Covid e as outras deverá ser de 15 dias.

A vacinação das crianças de 5 a 11 anos em postos drive-thru deverá ser evitada. As crianças deverão ser acolhidas e permanecer no local de vacinação por pelo menos 20 minutos após a aplicação da vacina, para observação.

Os profissionais de saúde deverão informar os pais ou responsáveis, antes de aplicar a vacina, sobre os principais sintomas esperados após a vacinação – dor, inchaço e vermelhidão no local da injeção, febre, fadiga, dor de cabeça, calafrios, dor muscular ou nas articulações, além do aumento dos gânglios na axila do braço que recebeu a vacina.

Os pais ou responsáveis deverão procurar um médico se a criança tiver, depois da vacinação: dores repentinas no peito, falta de ar ou palpitações.

O profissional de saúde deverá mostrar aos pais ou responsáveis, antes de aplicar a vacina, que a vacina é a da Covid-19 – com frasco de cor laranja, dose de 0,2mL, contendo 10 µg (microgramas) da vacina, específica para crianças entre 5 a 11 anos. A seringa que será usada é de 1 mL.

A Anvisa recomenda um plano de comunicação sobre as diferenças de cor entre os frascos dos produtos, incluindo a utilização de redes sociais e estratégias mais visuais que textuais. Deverá ser levado em conta, também, que podem existir frascos semelhantes de outras vacinas infantis no mercado – o que pode levar a erro ou troca na aplicação.

Crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose deverão receber a segunda dose pediátrica da vacina.

Os estudos de efetividade deverão ser mantidos para essa faixa etária.

Colunistas

Carregando...

Enquete

Carregando...

Saiba mais