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Saúde

Imagem: Marcello Oliveira / 98 Live

Vida pós-pandemia; 98 acompanha "novo normal" em Nova York

Maior cidade americana investiu em grande testagem, isolamento e vacinação em massa para fazer os casos caírem de 12 mil para menos de 200 por dia

Por Marcello Oliveira

No ano passado, quando a cidade de Nova York registrava diariamente mais de 12 mil novos casos de Covid-19, sendo o epicentro da doença nos Estados Unidos e um dos maiores focos em todo o mundo, era bem difícil imaginar que um ano depois a big Apple seria um bom exemplo a ser seguido pelas grandes cidades mundo afora. Mas isso aconteceu e hoje Nova York celebra o retorno à vida (quase) normal, inclusive tornando o uso de máscaras opcional. 

Festa em um bosque urbano no Queens, com a participação do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, aulas coletivas de yoga em um lado da Times Square, dançarinos performáticos no outro, grupos de amigos reunidos no Central Park, lojas cheias na 5ª Avenida e museus recebendo o público, tudo isso menos de uma semana após a reabertura de Nova York, já descrito aqui como um momento pós pandemia. A recuperação econômica da cidade deve acontecer mais rápido do que a previsão mais otimista de 2020 e do início de 2021, mas esse crescimento passa claramente pelo turismo, uma das armas que tanto o prefeito da cidade quanto o governador do estado de Nova York estão usando para driblar a crise. 

“Vacinas para todos, não apenas para residentes, queremos abrir nossas portas ao turismo e o turista será muito bem vindo em Nova York, inclusive para receber a vacina contra covid-19”, disse Bill de Blasio em maio, ao afirmar que espalharia vans e ônibus pelos pontos turísticos da cidade para vacinar os turistas, ação que foi endossada pelo governador Andrew Cuomo

Mas o primeiro desafio da megalópole foi conter os casos e o alto número de mortes. Nova York chegou a ter mais de 800 óbitos por dia no período mais crítico da pandemia. Então investiram em hospitais de campanha. O Jacob Javits Center, um enorme centro de convenções que em março de 2020 estava pronto para receber o Salão do Automóvel de Nova York, foi totalmente desmontado em questão de horas e em poucos dias, já transformado em um gigantesco hospital de campanha, já estava recebendo pacientes. 

(MÁSCARAS OPCIONAIS - turistas e novaiorquinos voltam a frequentar a Times Square no "novo normal")

Negação ao imunizante ainda é um problema

Hoje, o centro de convenções funciona como um grande ponto de vacinação 24 horas por dia. Além dele, farmácias, outros pontos fixos e móveis vacinam a população, entre eles, até supermercados. Tanta agilidade fez com que rapidamente a maior parte da população tenha sido vacinada. Hoje, 70% dos novaiorquinos adultos receberam ao menos a primeira dose. Infelizmente as autoridades ainda tentam convencer os 30% que por algum motivo se recusam a receber o imunizante. Há os “negacionistas”, que não tomam por questões ideológicas, políticas e os que se recusam por medo de uma possível reação adversa da vacina.

Por isso pode se dizer que o trabalho das autoridades na vacinação ainda não acabou, pelo contrário, pode estar esbarrando numa fase bem difícil: tentar convencer o restante da população a se vacinar completamente. Mas esse problema pode estar com os dias contados. Andando pelas ruas de Manhattan, percebi que muitos bares, restaurantes e lojas exigem o cartão de vacinação para que o cliente possa entrar e usufruir dos serviços sem precisar de usar máscara.

O jornal The New York Times da última sexta-feira (18) destacou um artigo que convida os que ainda se recusam a vacinar a uma reflexão inteligente. “Que tal poder voltar a reunir com amigos e familiares, curtir um cinema ou o teatro em segurança, entrar em restaurantes e fazer compras como antes? Tudo isso está ao seu alcance, basta se vacinar e ajudar a tudo voltar ao normal”, dizia parte da mensagem. Premiar os vacinados foi outro artifício utilizado. Uma semana de metrô ilimitado gratuito, passe para subir ao topo do Empire State Building, Dunets e até números para concorrer prêmio na loteria federal americana, todos esses benefícios para atrair mais vacinados. 

Turismo da vacina

Eles estão de volta! Nova York voltou a ser a queridinha dos turistas de diversos lugares, de dentro ou de fora dos Estados Unidos. A cidade que já esteve no fundo do poço agora retira as restrições na semana que coincide com o início do verão no hemisfério norte. Hotéis com ocupação jamais vista antes durante a pandemia, aeroportos movimentados e a Big Apple dá as boas vindas ao turista da melhor forma: com vacina.

O anúncio do prefeito e do Governador de que turistas seriam vacinados fez reaquecer esse setor da economia que andava esquecido. Brasileiros também são bem vindos, mas como as fronteiras americanas se mantém fechadas para o Brasil, o jeito é fazer quarentena em algum país que esteja aberto, como o México. Agências de turismo do Brasil oferecem pacotes que incluem 15 dias em Cancún e uma semana em Nova York por cerca de R$ 20 mil por pessoa. Uma aposentada, de 57 anos, que preferiu não se identificar aderiu ao pacote e trouxe junto os filhos: um rapaz de 26 anos e uma moça de 24. Após duas semanas em um resort de Cancún, onde ficaram em isolamento trabalhando no formato “home office”, voaram para Nova York e receberam a dose única da vacina Janssen. Após quase um mês viajando, brasileiros lotam os voos diretos para o Brasil. Para entrar nos Estados Unidos sem quarentena, só mesmo sendo residente ou com visto de trabalho previamente autorizado. Estudantes voltam a poder entrar a partir de agosto. 

Para atender o turista em busca da vacina, a prefeitura de NYC simplificou ao máximo. Além de dezenas de postos fixos, há vans e ônibus espalhados por toda a cidade fazendo o teste molecular PCR (uma exigência do governo brasileiro para voltar ao Brasil e conferido pela companhia aérea) e, claro, aplicando a vacina, que você pode escolher: Pfizer, Moderna ou Janssen. Funcionários apenas conferem o passaporte, faz algumas perguntas e em menos de cinco minutos a pessoa é imunizada, sem filas, sem transtornos e totalmente gratuito. Em alguns postos, os turistas vacinados ganham brindes, que podem variar de uma semana de metrô de graça até um passe para subir no terraço do Empire State

(O casal paulistano William e Christiane; aproveitou as férias para vacinar em NY)


William Tominaga e Christiane Hinoue, vindos de São Paulo, aproveitaram as férias para tomar a vacina em Nova York após passar duas semanas em Punta Cana, na República Dominicana. Se vacinaram apenas uma hora após chegar em Nova York. “Chegamos e fomos direto para a Penn Station, formos vacinados em cinco minutos e ainda ganhamos um passe livre de uma semana de metrô e alguns donuts”, comemora Christiane.

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