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Imagem: MDA / Divulgação

FIAgro: investir no campo é um bom negócio?

Três formas de fazer o seu dinheiro render com o agronegócio


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


O Agronegócio representou 27,4% do PIB brasileiro em 2021 (Cepea-USP). Mais de 20% dos trabalhadores brasileiros estão ligados ao setor que também contribui com cerca de 45% das exportações brasileiras (SCRI). Em relação ao Agro, o Brasil é muito relevante para o mundo, liderando as exportações mundiais de açúcar, café, soja, carnes bovina e de frango.

No entanto, até meados do ano passado, investir no Agronegócio não era muito simples para as pessoas físicas. Lançados no segundo semestre de 2021 na B3, os FIAgros chegaram para democratizar o acesso desse setor vencedor ao pequeno investidor brasileiro.

O que é FIAgro?

Os FIAgros (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais) tem como objetivo levantar recursos junto a investidores para aplicar em ativos relacionados ao agronegócio. São três tipos:

Direitos Creditórios (FIAgro-FIDC)

Uma das situações que mais sufoca empresas é não organizar bem seu fluxo de caixa. Empresas do Agro sofrem especialmente com esse problema, pois necessitam de altos valores para financiar suas produções, enquanto sua receita depende de uma série de fatores (clima, vendas, preços, etc). Para evitar faltar dinheiro em momentos pontuais, como no plantio, alguns produtores pegam recursos emprestados oferecendo seus recebíveis como uma garantia, sendo assim, conseguem juros mais atrativos. É como se antecipassem a receita de suas vendas, deixando uma parte em troca pelo adiantamento dos recursos.

Imobiliários (FIAgro-FII)

Tem como objetivo levantar recursos para investir em terras agrícolas e preparar sua viabilização para os produtores rurais, em especial por meio de arrendamentos. Terras são escassas e tendem a exigir grandes aportes de valores para torná-las produtivas e eficientes, portanto, os FII Fiagro vem para construir pontes entre quem pretende produzir e não tem todos os recursos para fazê-lo e aqueles que querem investir e aumentar seu capital.

Participações (FIAgro-FIP)

Oferecem aos investidores a possibilidade de adquirir participações em empresas, ativos financeiros, títulos de créditos ou valores mobiliários emitidos dentro da cadeia produtiva agroindustrial;

Quanto rende o FIAgro?

Atenção, os FIAgro não são investimentos de renda fixa. Sua rentabilidade pode variar e não há uma previsibilidade tão clara de pagamentos de proventos como as de seus primos mais próximos, os Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs).

Os FIAgro FIDC têm rentabilidades menos voláteis por se tratarem de juros. Enquanto os de FIP e FII tendem a variar mais, pois suas receitas podem estar associadas à produção e resultados das empresas.

Entretanto, aqueles que resolverem se expor aos riscos podem ser premiados. Se a rentabilidade dos fundos são vinculadas à produção agroindustrial, os ganhos são potencializados com o crescimento do setor, pela maior demanda por terras, bem como em momentos de valorização do dólar (crises econômicas e aumento dos preços internacionais dos produtos do setor).

Isenção de Imposto de Renda

Notícia boa: Os proventos de FIAgro contam com isenção de IR! Mas saiba que, diferentemente dos FIIs convencionais, não existe a obrigatoriedade da distribuição de 95% da renda do fundo a cada seis meses. A distribuição é definida pelo próprio gestor no regulamento do fundo.

Fique atento, apesar da isenção dos dividendos, o FIAgro também segue a regra de cobrança de IR no caso da venda de suas cotas com ganhos, nas quais o investidor deve recolher o imposto referente a 20% do lucro via DARF no mês seguinte à venda da cota.

Quais os riscos?

  • Climático: Secas, chuvas, geadas, o fator climático afeta a produtividade e rentabilidade do setor;
  • Crédito: Devedores não conseguirem arcar com os pagamentos;
  • Concentração: Fundos com apenas um ou poucos locatários;
  • Governança: Gestão inadequada dos negócios.
  • Liquidez: Por se tratar de um novo tipo investimento, pode haver alguma dificuldade em vender as cotas no mercado secundário;
  • Mercado: condições macroeconômicas, políticas locais ou internacionais, alterações de preço.

Vale a pena investir?

Considerando que a população mundial deve continuar aumentando enquanto as terras agricultáveis ficarão cada vez mais caras e raras, os FIAgro-FII podem apresentar boa rentabilidade e funcionar como um bom escudo contra a inflação no longo prazo. Com a atual alta dos juros, os FIDCs podem ser uma interessante opção, pois ganham com o aumento da Selic. Enquanto os FIAgro-FIP tem potencial de valorizar com o crescimento e desenvolvimento desse setor que é tão importante para o Brasil e para o mundo.

Penso que FIAgro não é indicado para investidores muito conservadores, por ser um produto de renda variável. Entretanto, se encaixa muito bem para perfis moderados ou agressivos, em uma carteira balanceada, adicionando potencial de valorização, proteção contra a inflação e ganhos também com elevações da taxa de juros.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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