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Imagem: Reprodução / Pixabay

Sobre dinheiro, liberdade e a meia-idade

Do consumismo ao essencialismo: como construir riqueza e deixar as dívidas de lado na “melhor idade”


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


Muitas vezes falamos sobre juros compostos e o poder do tempo para a construção de riqueza. Em seguida, SEMPRE vem a pergunta: e para quem já é mais maduro? Como faz quem pode não ter 20-30 anos pela frente?

Consumismo

Em nossa sociedade somos impelidos ao consumo a todo tempo. Acreditamos que só seremos felizes quando tivermos ou alcançarmos algo. A felicidade está sempre no futuro, sempre na próxima meta. As pessoas seguem o jogo da vida como em uma esteira elétrica, correndo sem sair do lugar. Estudam, trabalham, se casam, investem muitos de seus recursos em carros, moradia e festas. Criam dívidas para assegurar um padrão de vida que não é compatível com suas rendas. Logo, nascem filhos que acabam por apertar ainda mais o cinto do orçamento. E, quando chega a terceira idade, estão despreparadas para lidar com o aumento dos custos e a queda de sua renda.

Atitudes iguais geram resultados iguais. Se desejamos resultados diferentes, é necessário pagar o preço por eles. Uma vez comecei a assistir um seriado chamado Ordem na Casa com Marie Kondoe percebi que eu era um bocado desorganizado, acumulador e quanto dinheiro gastei com coisas que pouco usei em minha vida. Te convido a fazer o mesmo e começar a praticar o desapego, para abrir espaço para o que realmente importa.

Minimalismo

É natural entre as pessoas que pretendem transitar da educação para a inteligência financeira se encontrem com o minimalismo. Em oposição às ideias consumistas, desenvolve-se a mentalidade do menos é mais. Você é grato pelo que tem, vende ou doa o que não precisa e adota uma vida mais simples, em que a felicidade não está associada às coisas, mas à liberdade e às experiências. 

Muitas vezes, em função de problemas financeiros, as pessoas cortam de seus orçamentos os momentos de lazer e liberdade. Talvez essa seja a maior armadilha. Sem motivação e felicidade de se fazer o que gosta, não é possível produzir renda com eficiência, o que só agrava a situação. No minimalismo essas experiências não são eliminadas, mas outros itens menos óbvios.

A mente minimalista reavalia a moradia, item que apresenta um efeito cascata nas despesas. Residências maiores e em bairros mais nobres tendem a apresentar maiores custos de manutenção, água e luz, bem como mercados também mais caros. Reavalia os meios de transporte, buscando alternativas mais baratas (carro por bicicleta, por exemplo). Repensa a alimentação, para ser mais saudável, minimizando impulsos ou exageros. Adapta a rotina para ter o mínimo de stress, inclusive na escolha do que vestir.

Essencialismo

Assim como em dietas muito restritivas, o minimalismo tem o risco de apresentar um efeito sanfona. As pessoas que se privam por muito tempo, podem retornar com força total às práticas anteriores. Dessa maneira, após transitar pelos dois extremos, é importante encontrar seu próprio ponto de equilíbrio: o essencialismo. 

“Se não estabelecermos nossas prioridades, alguém fará isso por nós.” Greg Mckeown

O caminho do essencialista é buscar de forma incansável o “menos, porém melhor''. É evitar a nuvem de informações e pressões sociais, de forma a ter clareza para entender e nomear o que realmente importa para você e dizer um NÃO bem grande a todo o resto.  Resumindo, é a fase em que alcança certo equilíbrio financeiro, em que é possível gastar muito com aquilo que é essencial e importante para você.

Concluindo

A educação financeira nos deixa uma fórmula simples para a liberdade: 1) Gastar menos que se ganha; 2) Investir bem; 3) Ganhar mais

Possivelmente uma vida consumista tenha o levado até o endividamento e a uma condição financeira insustentável em que o primeiro passo já seja um grande desafio. Para pessoas de meia-idade, o caminho mais seguro é transitar do consumismo ao essencialismo, pagando um pedágio no minimalismo. Caminhar de um extremo ao outro é essencial para elevar seu autoconhecimento e conquistar o seu próprio equilíbrio.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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