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Esporte Nacional

Imagem: CBF

O calendário que temos é o que os clubes querem

Discussões a respeito dos desfalques e problemas com as Data-FIFAs voltam a aperecer quando já é tarde demais para uma mudança sensata

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Mais uma vez o Campeonato Brasileiro caminha para a reta final com discussões infrutíferas sobre sua organização. No momento em que o público está retornando aos estádios e a competição afunila, volta o debate sobre os principais jogadores ficarem fora da disputa enquanto servem suas seleções. Já é um clássico e infelizmente não deve mudar nos próximos anos por um motivo bem claro: o calendário que temos é o calendário que os clubes querem. Jogar toda a culpa na CBF é cômodo e também é um ponto a favor do desejo das equipes.

Por mais que pareça uma grande surpresa para alguns clubes o fato de ter jogadores convocados ausentes de rodadas do Campeonato Brasileiro já era de conhecimento de todos. O calendário é divulgado com antecedência e salvo raras exceções os times sabem quais e quantos jogadores do seu elenco estão sujeitos às convocações. Pedir adiamentos inconcebíveis para um calendário sem respiro é só uma maneira de tentar parecer que não é de responsabilidade dos clubes lutar por um calendário mais inteligente.

Todas as decisões circulam em torno do dinheiro, principalmente da televisão. Mas basta pensar um pouco adiante para perceber que a troca feita pelos clubes ano após ano tem muito pouco de inteligente. E terá ainda menos nas próximas temporadas.

Os campeonatos estaduais esmagam o Campeonato Brasileiro. Muitas datas para um torneio menos importante só fazia sentido pelas boas cotas pagas pela transmissão. Mas a TV Globo, principal fiadora da competição, não tem mais o interesse de outrora por um produto que precisa ser repensado. Com o fim do contrato, abriu mão dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Deve fazer o mesmo nos outros. O valor recebido pelos grandes clubes cairá substancialmente a partir de 2022 mas até agora não há nenhum movimento para repensar o calendário, que deve ser divulgado nas próximas semanas com as mesmas 16 datas para as federações estaduais.

O olhar um pouco mais aguçado nota facilmente também que apesar de receberem um bom valor pelos torneios regionais acaba desvalorizando o que deveria ser o produto principal. Gabriel Barbosa é o principal jogador do país. Soma 34 participações diretas em gols (27 gols e sete assistências) em 32 jogos. Mas atuou em apenas oito das 20 partidas que o Flamengo fez no Campeonato Brasileiro. Ficará fora das próximas rodadas. Temos outros vários exemplos. Não seria possível atrair mais dinheiro da TV, patrocinadores e mais torcedores ao estádio se o campeonato mais importante fosse melhor cuidado.

Repensar o calendário deveria ser tratado como urgência pelos clubes. Mas não é a prioridade, pelo contrário. Alguns cogitam novamente a possibilidade de recriar torneios regionais para tentar arrancar mais uma cota da televisão. Enquanto eles ignoram e reclamam da impossibilidade de adiar seus jogos como se não fossem responsáveis eles mesmo pelo seu destino, deixo aqui um spoiler: em 2022 a Copa do Mundo vai obrigar os torneios a acabarem mais cedo e os problemas vão se repetir. Com a anuência do seu time do coração.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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