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Imagem: Reprodução / Internet

O que aconteceu com Alec Baldwin? Entenda o transtorno de estresse pós-traumático

Veja quatro grupos associados ao TEPT


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Dra. Júlia Khoury

Psiquiatra e professora, médica pela UFMG. Psiquiatra pelo Hospital das clínicas da UFMG


Na semana passada, o ator americano Alec Balddwin matou acidentalmente a diretora do filme em que atuava ao disparar uma arma cenográfica num set de filmagem nos Estados Unidos. Após o ocorrido, o ator relatou tristeza profunda e “choque emocional”, além disso, uma grande parte da equipe que trabalhava no filme pediu demissão.

O que pode ter acontecido com Alec Balddwin e parte da equipe de filmagem é o que chamamos de Transtorno de Estresse Agudo (TEA), condição psiquiátrica muito semelhante ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e que basicamente se difere dele por um critério temporal. Tanto o TEA quanto o TEPT são consideradas uma má adaptação a um evento estressor importante, sendo que o TEA tem a duração de até um mês e o TEPT dura mais que um mês.

Para se diagnosticar o TEA e o TEPT é necessário que tenha havido exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência por quem vivenciou diretamente o evento traumático ou testemunhou o evento ocorrido com outras pessoas. Além disso, o indivíduo que sofreu o trauma deve apresentar sintomas dos quatro grupos abaixo:

  • Sintomas intrusivos associados ao evento traumático: como pesadelos recorrentes ou lembranças do trauma durante o dia;
  • evitação persistente de estímulos associados ao trauma: como o afastamento de situações, pessoas, locais ou objetos que relembram a situação traumática;
  • alterações marcantes na excitação e na reatividade: como assustar-se com facilidade, ter explosões de raiva ou se tornar mais irritado;
  • alterações negativas na cognição e no humor: como prejuízo na capacidade de concentração, redução da memória, sentimentos crônicos de vazio e tristeza, e redução da capacidade de se conectar com as pessoas.

Os transtornos relacionados aos traumas podem ser altamente incapacitantes, prejudicando o trabalho, os estudos e os relacionamentos interpessoais, por isso devem ser adequadamente identificados e tratados. Eles acontecem com mais frequência em mulheres e em trabalhadores que exercem atividades com maior probabilidade de exposição a situações traumáticas (como bombeiros, policiais e professores).

A maioria das pessoas que sofrem de TEPT se recuperam com o tempo e conseguem ter uma vida normal, mas alguns indivíduos desenvolvem um transtorno crônico, com oscilação dos sintomas ao longo da vida. É muito comum as pessoas com TEPT desenvolverem outras doenças psiquiátricas, como depressão e vício em drogas, por isso estas condições também precisam ser identificadas e tratadas.

O tratamento do TEA e do TEPT pode ser feito com psicoterapia, medicamentos ou ambos, mas algumas estratégias podem ajudar o indivíduo logo após ele ter sofrido o trauma. 

Deixar ele falar sobre o que aconteceu, acolher seus sentimentos e normalizar esses sentimentos são atitudes que previnem o adoecimento posterior. Por outro lado, fingir que nada aconteceu ou anestesiar a dor logo após o trauma, são atitudes que podem contribuir para uma reação pior no futuro e para o desenvolvimento do TEPT. Atividades de relaxamento, meditação e grupos de autoajuda com pessoas que vivenciaram situações semelhantes também são úteis. 



* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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